Artigo de professores da EE Helen Keller é publicado em revista científica de Geografia
03/08/2026 11h36
Publicação reconhece a relevância, qualidade técnica e científica do trabalho, que aborda iniciativa escolar de reflorestamento com lançamento de bombas de sementes
Da redação

A experiência desenvolvida pela Escola Estadual Helen Keller, que mobilizou estudantes e professores em uma ação de recuperação ambiental por meio do lançamento de bombas de sementes, obteve reconhecimento científico nacional. O artigo “Educação Ambiental no Contexto Escolar e Recuperação Florestal: Contribuições da Técnica das Bombas de Sementes em Adamantina-SP”, assinado pelos professores Juliana Françoso, Tiago Rafael dos Santos Alves e Everton dos Santos, foi publicado no volume 53 do Boletim Gaúcho de Geografia. O artigo contou ainda com a colaboração da professora doutora Angélica Góis Morales, Professora da
Faculdade de Ciências e Engenharia (FCE) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Tupã.
O periódico científico, vinculado a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui alta qualidade rigor editorial consolidado e forte reconhecimento nacional ou internacional, sendo classificado como A3 no sistema Qualis CAPES.
O estudo teve origem em duas disciplinas eletivas voltadas à temática ambiental, desenvolvidas ao longo de 2024 com estudantes do Ensino Médio da unidade escolar. A proposta integrou educação ambiental, metodologias ativas e estudos do meio, permitindo que os alunos participassem da produção e do lançamento de bombas de sementes confeccionadas com espécies nativas, argila e composto orgânico.
A ação foi realizada em uma área rural próxima à Etec Engenheiro Herval Bellusci, atingida por incêndio florestal em 2024. Baseada nos princípios da permacultura, a iniciativa buscou contribuir para a recuperação da vegetação nativa, ao mesmo tempo em que promoveu a conscientização ambiental dos estudantes.
“Para os estudantes, participar de todas as etapas do projeto significou aprender na prática, desenvolver responsabilidade ambiental e compreender que eles também são protagonistas na construção de um futuro mais sustentável”, ressalta a professora Juliana Françoso, que atualmente está na rede de ensino do município de Lucélia.
Segundo os resultados apresentados no artigo, o projeto proporcionou maior engajamento dos alunos, fortaleceu a compreensão sobre a importância da restauração ecológica e já permitiu observar os primeiros processos de germinação das sementes dispersadas, indicando o potencial da técnica como ferramenta complementar para a recuperação de áreas degradadas.
“A recuperação dessas áreas por meio de bombas de sementes mostra que pequenas ações locais podem gerar grandes impactos ambientais, especialmente quando aliadas à educação e ao engajamento coletivo”, salientou o professor Tiago Rafael dos Santos Alves, que hoje ocupa a função de vice-diretor da EE Helen Keller.
Antes da publicação científica, os resultados preliminares da pesquisa foram apresentados no I Encontro Internacional da Amazônia Oriental, realizado paralelamente ao III Fórum Socioambiental do Conselho Estratégico Social (CONEST), promovido pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), em parceria com o Observatório da Amazônia Oriental (OAO) e o núcleo do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte.
Durante a apresentação, os pesquisadores destacaram a eficácia das bombas de sementes como estratégia inovadora de recuperação ambiental e educação ambiental no contexto escolar. A experiência despertou o interesse dos demais pesquisadores participantes e recebeu elogios dos organizadores do painel, que recomendaram a continuidade e a ampliação da iniciativa.
“Para a comunidade acadêmica, este trabalho demonstra que a escola pública é também um espaço legítimo de produção científica, capaz de gerar conhecimento relevante e aplicável em diferentes áreas da Geografia e da Educação Ambiental”, destacou o professor Everton Santos.
Reconhecimento
A publicação no Boletim Gaúcho de Geografia representa um importante reconhecimento acadêmico ao trabalho desenvolvido pela Escola Estadual Helen Keller e evidencia o potencial da escola pública como espaço de produção científica e desenvolvimento de práticas sustentáveis. O estudo também reforça a relevância da integração entre educação, comunidade e conservação ambiental na formação de cidadãos comprometidos com a preservação dos recursos naturais.
A aprovação e publicação do artigo evidencia a relevância da ação, já que os artigos encaminhados ao Boletim Gaúcho de Geografia são avaliados por dois pareceristas do Conselho Editorial ou avaliadores ad hoc. Os pareceristas consideram, na avaliação, além da relevância do tema, a qualidade técnica e científica do trabalho, bem como a organização, a linguagem e a originalidade do artigo.
A Revista
O Boletim Gaúcho de Geografia (BGG) é a publicação científica da seção Porto Alegre da Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB-PA) e tem como objetivo principal difundir o saber geográfico a partir da publicação de textos, escritos em português ou em espanhol, que envolvam olhares críticos e formadores de conhecimento relacionados ao espaço geográfico/ ao mundo/ à realidade. Além disso, os trabalhos publicados devem ser consistentes e originais e devem contribuir para o debate acadêmico e político no nosso país. Este periódico preza também pela diversidade do conhecimento e, portanto, não impõe tarifas para ser acessado, processar artigos e publicar textos. A versão impressa do BGG é distribuída gratuitamente aos sócios da AGB-PA, autores e pareceristas da revista.
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