Faculdade de Medicina da USP é pioneira no uso de robô cirúrgico no ensino

17/07/2024 17h26

Professor da USP explica que a formação de cirurgiões objetiva passar esse conhecimento para que a técnica possa ser incorporada ao SUS

Qua, 17/07/2024 – 8h23 | Do Portal do Governo

A Faculdade de Medicina da USP inaugurou o Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (Promin). A instituição passa a ser a primeira escola médica da América Latina a contar com um robô cirúrgico para ensino de ponta em cirurgia, tecnologia em alta no meio médico. O professor José Pinhata Otoch, titular da disciplina de Técnica Cirúrgica do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP, explica a utilização da técnica e suas perspectivas.

O que é a técnica?

Procedimentos Minimamente Invasivos é o nome dado a técnicas que se propõem a realizar cirurgias com portas de entradas mínimas no corpo, sendo um dos meios o uso de robôs. Otoch explica que enquanto na cirurgia convencional precisa-se fazer uma incisão grande para que a mão do cirurgião caiba, o robô consegue chegar no órgão almejado com apenas um pequeno corte. Ele afirma que, como consequência, cirurgias desse tipo requerem menos tempo de internação e têm menos traumas cirúrgicos.

O professor comenta que não são todos os tipos de cirurgia que são facilmente transpostos para o modelo robótico – cirurgias de traumas, ou seja, que envolvem acidentes e necessitam de urgência, são um exemplo de caso insubstituível. Já cirurgias eletivas, em que o médico se programa para fazer, “têm uma indicação muito precisa para robótica. Então cirurgias urológicas, do trato digestório e algumas cirurgias pulmonares têm hoje uma perspectiva clara de aplicação da robótica”, diz ele.

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Adoção no SUS

A premissa do robô é poder não só levar aprendizado para os membros da Faculdade de Medicina, mas para o Brasil como um todo. “A formação de cirurgiões tem um objetivo muito claro que é passar esse conhecimento para que isso possa ser incorporado dentro do Sistema Único de Saúde”, afirma o médico. Ele complementa dizendo que atualmente a técnica de Procedimentos Minimamente Invasivos segue um nicho de alta renda, e o intuito é democratizar esse acesso.

A tecnologia segue uma crescente nos últimos anos. Otoch diz que ela ainda era uma ilusão poucas décadas atrás, mas que hoje se desenvolve rapidamente. “Até alguns anos atrás, nós tínhamos dois fabricantes de robô no mundo; hoje nós temos 160”, diz o professor. E por mais que, segundo ele, a atualização profissional no campo médico tenha seguido “um caminho paralelo à universidade”, o novo Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos, pioneiro na América Latina, vem para mudar isso.

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