Extensão Universitária em Psicologia da FAI se destaca entre 177 propostas e comporá livro da Unesp e Abruem

24/04/2026   15h12

Iniciativa que utilizou a musicoterapia no combate ao bullying e no acolhimento de crianças e jovens em vulnerabilidade teve artigo selecionado em edital competitivo

Por Gustavo Amaral – MTB: 0097737/SP

O Centro Universitário de Adamantina – FAI celebra mais um reconhecimento de suas ações junto à comunidade. As atividades de extensão universitária: “Redes de escuta e expressão: A musicoterapia como estratégia de cuidado e transformação social”, desenvolvidas pelo curso de Psicologia, foram aprovadas para publicação como capítulo da obra: “Extensão universitária: redes de cooperação para transformar territórios”, da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com a Associação Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais (Abruem).

O trabalho foi uma das 20 propostas selecionadas em um universo de 177 concorrentes. As atividades foram coordenadas pela Prof.ª Dra. Thaísa Angélica Déo da Silva Bereta e executadas com a participação das alunas do 10º termo de Psicologia, Luana Pato Teixeira de Brito e Silvana Pinheiro Coelho Miyamura.

Para a professora responsável, a aprovação evidencia que o incentivo institucional gera impacto direto e conhecimento qualificado. “A seleção deste capítulo de livro é de extrema importância e destaca a relevância de intervenções que respondem a necessidades concretas do território. As atividades extensionistas vão além da dimensão clínica tradicional, afirmando-se como uma prática social comprometida com a criação de redes de pertencimento, e demonstra que o investimento da FAI em extensão produz resultados de excelência reconhecidos academicamente”, avalia a docente.

De acordo com o Pró-reitor de Extensão da FAI, Prof. Dr. Bruno Ambrósio da Rocha, “o aceite deste artigo como capítulo de livro representa um reconhecimento importante da relevância acadêmica e social das ações extensionistas que vêm sendo desenvolvidas no Centro Universitário de Adamantina. Mais do que a divulgação de resultados, essa conquista evidencia que a extensão universitária, quando articulada com as demandas reais da comunidade, produz conhecimento qualificado, gera impacto social e fortalece o papel da universidade como espaço de transformação”.

A origem da ação

A proposta nasceu da necessidade real de uma instituição socioeducativa parceira, localizada no interior de São Paulo, que atende crianças e adolescentes  em situação de vulnerabilidade. No cotidiano do local, a equipe observava conflitos interpessoais, dificuldades de convivência, situações de bullying e grande dificuldade dos jovens em expressar seus sentimentos.

A partir desse diagnóstico, a equipe da FAI estruturou dez encontros semanais utilizando a musicoterapia como estratégia central de cuidado. Por meio de dinâmicas de relaxamento, escuta musical e criação coletiva, o objetivo foi desenvolver habilidades socioemocionais e fortalecer os vínculos entre os participantes de 8 a 14 anos.

A aplicação acadêmica em um território marcado pela exclusão gerou impactos sociais diretos, transformando a realidade dos jovens atendidos. Durante e após as atividades, a equipe observou resultados como:

  • Enfrentamento ao bullying: Por meio de rodas de conversa e da criação coletiva de um rap, os participantes puderam reconhecer e refletir sobre as práticas de violência, deixando de banalizá-las no convívio diário.
  • Expressão e empatia: Os participantes passaram a conseguir nomear melhor suas emoções e começaram a demonstrar comportamentos mais cooperativos.
  • Fortalecimento de vínculos: Ao final dos dez encontros, o grupo relatou estar mais unido, superando as discussões frequentes que marcavam o período anterior à intervenção.
  • Ressignificação da violência: Vivências individuais de violência,
    comuns na realidade daquele território, encontraram acolhimento e ressonância no coletivo, gerando um sentimento de resistência.

Além do benefício direto à comunidade, as atividades cumpriram o papel fundamental da extensão: integrar o saber científico às demandas sociais. Para as alunas Luana e Silvana, a experiência em campo ofereceu uma leitura crítica da sociedade e auxiliou na construção da identidade profissional.

A atuação prática em contextos de vulnerabilidade proporcionou uma via de mão-dupla de trocas de saberes, fortalecendo a dimensão ética e garantindo uma formação mais humana e preparada para os desafios reais da Psicologia.

 

Crédito das fotos: Prof.ª Dra. Thaísa Angélica Déo da Silva Bereta
Legenda: Integrantes do projeto de extensão contemplado. Da esquerda para a direita: Silvana, Thaísa e Luana

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