Museu e Arquivo Histórico “Setsu Onishi” de Adamantina participa da 20ª Primavera dos Museus
09/09/2026 10h31
Com o tema “Museus para todas as pessoas”, iniciativa do Ibram promove reflexão sobre acesso, diversidade e pertencimento


O Museu e Arquivo Histórico de Adamantina “Setsu Onishi” participa da 20ª Primavera dos Museus, iniciativa promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que neste ano tem como tema “Museus para todas as pessoas”.
A programação nacional propõe uma reflexão sobre o acesso aos espaços de memória, a diversidade das narrativas e o direito de diferentes grupos sociais ao patrimônio cultural.
A proposta parte de uma questão fundamental: quem são as pessoas que entram nos museus brasileiros e, principalmente, quem ainda permanece do lado de fora?
Embora os museus sejam reconhecidos como instituições abertas, acessíveis e comprometidas com a diversidade, ainda existem diferentes barreiras que dificultam o acesso e a participação de parte da população. Essas barreiras podem ser físicas, econômicas, comunicacionais, tecnológicas, cognitivas, sensoriais, atitudinais e também simbólicas.
Nesse contexto, falar em museus para todas as pessoas significa ir além da ampliação do número de visitantes. Significa garantir o direito à memória, ao patrimônio cultural, à participação e ao pertencimento, permitindo que cada pessoa possa reconhecer nos museus histórias, identidades e experiências que dialoguem com sua própria trajetória.
Adamantina integra a mobilização nacional
A participação do Museu e Arquivo Histórico “Setsu Onishi” reforça o compromisso de Adamantina com a preservação da memória, a valorização do patrimônio histórico e cultural e a aproximação da população com o museu.
Por meio da participação na Primavera dos Museus, o equipamento cultural integra uma mobilização que reúne instituições de diferentes regiões do país em torno de debates e ações relacionadas à democratização do acesso à cultura e à memória.
A iniciativa também fortalece o papel do museu como espaço de conhecimento, educação, diálogo e pertencimento, aproximando diferentes públicos da história e das memórias preservadas pela instituição.
Diversidade e representatividade
Os museus brasileiros preservam acervos de grande importância histórica e cultural, reunindo documentos, objetos, obras e registros relacionados a diferentes áreas do conhecimento e às múltiplas experiências da sociedade.
Entretanto, a diversidade dos acervos não significa, necessariamente, diversidade nas narrativas apresentadas. Ao longo da história, diferentes grupos tiveram suas memórias silenciadas ou suas contribuições pouco representadas.
A Primavera dos Museus propõe, portanto, ampliar vozes e fortalecer a participação das comunidades nos processos de pesquisa, documentação, preservação, comunicação e interpretação do patrimônio cultural.
Museus também precisam estar próximos das pessoas
Outro desafio apontado pela iniciativa é a distribuição desigual dos museus pelo território brasileiro. A concentração dessas instituições em capitais e grandes centros urbanos evidencia a necessidade de fortalecer equipamentos culturais também no interior do país, nas periferias, comunidades rurais, territórios indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais.
Experiências como museus comunitários, Pontos de Memória, ecomuseus e museus de território demonstram que a preservação da memória também pode nascer da iniciativa das próprias comunidades, fortalecendo vínculos, identidades e processos de transformação social.
Nesse sentido, democratizar o acesso aos museus também significa levar os museus até as pessoas, por meio de ações extramuros, atividades educativas e parcerias com escolas, praças, comunidades e outros espaços onde a vida acontece.
Acessibilidade e inclusão
A proposta de museus para todas as pessoas também amplia o debate sobre acessibilidade. Mais do que adaptações físicas ou tecnológicas, a acessibilidade deve estar presente na gestão, na comunicação, na mediação cultural, na formação das equipes, nas atividades educativas e nos processos de participação social.
Mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, pessoas com deficiência, pessoas neurodivergentes, população LGBTQIAPN+, pessoas idosas, crianças, adolescentes, migrantes, refugiados e outros grupos historicamente excluídos possuem diferentes experiências e necessidades no acesso aos direitos culturais.
Por isso, construir instituições verdadeiramente inclusivas exige escuta, diálogo, participação e reconhecimento das diferentes formas de produzir conhecimento e memória.
Um convite à reflexão
Ao completar 20 edições, a Primavera dos Museus reafirma seu papel como uma das principais iniciativas de mobilização do setor museal brasileiro.
A edição deste ano convida cada instituição a refletir sobre sua própria atuação:
Quem frequenta o museu? Quem ainda não chega até ele? Quais memórias estão representadas? Quais permanecem invisibilizadas? Que barreiras precisam ser removidas? Como ampliar a participação das comunidades?
As respostas serão diferentes em cada território, considerando suas histórias, características e desafios.
A participação do Museu e Arquivo Histórico “Setsu Onishi” de Adamantina nesse movimento nacional reforça a importância de manter a instituição como um espaço aberto à comunidade, à educação, à cultura e à preservação da memória local.
A 20ª Primavera dos Museus reforça, assim, que os museus podem ser espaços de encontro, diálogo, conhecimento e pertencimento.
Toda pessoa tem direito à memória. Toda comunidade produz patrimônios. E todo museu pode contribuir para a construção de um Brasil mais plural, democrático, acessível e com justiça social.
Museu e Arquivo Histórico de Adamantina “Setsu Onishi”
20ª Primavera dos Museus
Tema: Museus para todas as pessoas
Realização: Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ADAMANTINA
Diretor de Comunicação
Caio Vasques
Jornalista
Natacha Dominato